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quinta-feira, 26 de março de 2015

Narcisismo, Apoliticismo, Espiritualidade - 2a. e última parte

por José Policarpo Junior

Espírito. Do latim, spiritus, significando “respiração, sopro”, ou também “coragem e vigor”; equivalente do hebraico ruach (ar, respiração, fôlego) e do grego pneuma (respiração). A etimologia da palavra nos lembra que seu sentido aponta para o que é invisível, imaterial, intangível, mas, ao mesmo tempo, infunde vida, movimento, direção ao que é visível e material. Movimento e direção não significam, no entanto, subjugação ou dominação.

O ser humano é, entre outros aspectos, um ente material dotado de um princípio de imaterialidade, ou um espírito encarnado ou uma mente incorporada, conforme a nomenclatura preferida. Do ponto de vista formativo, isto é, daquele dever ser a que o ser humano é chamado no sentido de desenvolver mais profundamente a sua própria condição humana, um dos aspectos mais importantes é considerar que o invisível é chamado a infundir seu discernimento sobre o visível, ou que, em outras palavras, aquilo que se manifesta entre os seres humanos seja dotado do princípio da sabedoria, da razoabilidade, do discernimento. Poderíamos ilustrar esse entendimento com vários exemplos, mas vou citar apenas dois.

Uma pessoa precisa fazer uma dieta específica por motivos de saúde, por conseguinte precisa evitar determinados alimentos prejudiciais em relação aos quais, entretanto, sente uma atração compulsiva. Há, nesse caso, um conflito entre um discernimento e um desejo. Uma parte de si - aquela responsável pelo sentido do paladar e pelo estado emocional da ansiedade - deseja algo (visível, material) que é incompatível com o que outra parte - o espírito, a intuição ou a razão - compreende (princípio invisível, imaterial) ser inadequado para a própria dimensão corpórea em que se exercem os sentidos físicos. Ninguém em pleno gozo de seu entendimento discordará que, no caso mencionado, o mais adequado é que o discernimento se sobreponha ao desejo - havendo diferentes modos de o fazer. Se a pessoa consegue agir conforme seu discernimento, podemos dizer que tal ação foi, nesse caso, uma ação espiritual. É imprescindível observar, no entanto, que a preponderância de tal discernimento atua no sentido da promoção do próprio bem-estar corporal, de um aspecto visível e material do ser humano; não se trata, portanto, de repressão ou dominação do corpo, mas de uma ação que visa a sua própria saúde.

Segundo exemplo. Uma pessoa toma conhecimento de uma injustiça que está sendo perpetrada contra outrem. Acontece que tal injustiça não é compreendida como tal por um bom número das pessoas que a presenciam, mas é sim saudada por muitos que estão tomados por algum tipo de emoção, ressentimento ou ódio para com a pessoa injustiçada. Se a pessoa conscienciosa, que tem pleno entendimento da injustiça que se comete contra outrem, não utiliza sua voz, seu poder, ou o instrumento de que tenha a legitimidade para agir de algum modo em contrário à referida injustiça, tal pessoa, por mais que proteste em contrário, estará motivada apenas pelo seu egocentrismo ou por seu instinto de sobrevivência, por mais sofisticado que venha a ser o discurso que utilize para justificar seu comportamento ou inação.

Embora de alcance e contexto completamente distintos, ambos os exemplos tentam apontar para a compreensão de que a vida espiritual se caracteriza pela presença orientada no mundo, de modo que possamos ser guiados, em meio a tudo que é tangível e material, por aquilo que é intangível ou imaterial. O propósito, porém de tal orientação, consiste em cuidar do mundo que é comum a todos os seres humanos, e não para se tornar uma prática de exclusivo cuidado de si mesmo. Conforme afirmou Hannah Arendt, o mundo não é o espaço, nem a natureza, mas a tentativa sempre retomada de construção de um lar para que o homem possa habitar em nosso planeta Terra. Por isso mesmo, o ato de cuidar do mundo implica o respeito pelas tradições, o convívio e tolerância entre diferentes, a instituição de práticas e costumes que estabeleçam uma esfera acolhedora aos seres humanos em sua pluralidade. Isso não implica sujeição e reprodução infinita do que já existe, mas o cuidado em reformar preservando tudo o que promove aquilo que pode ser partilhado entre os homens.

O ato de cuidar de algo ou de alguém implica sempre trazer de algum lugar para um contexto específico a intenção desinteressada, o discernimento razoável, a ternura e a perseverança, de modo a conduzir com firmeza e constância a ação localizada em prol de algo, de alguém ou de muitos. Cuidar do mundo é, portanto, por definição, algo que se faz contrariamente ao autocentramento, à importância de si mesmo; algo que implica necessariamente superar o narcisimo.

Aristóteles expressou, nA Política, o entendimento grego de que o ser humano é um “animal político”, isto é, um ser da polis, ou, em outras palavras, um ser para a convivência. Somente em convivência com outros o ser humano se torna humano no sentido próprio e apropriado do termo. A política, no sentido etimológico, próprio e profundo do termo, é, portanto, cuidado com o mundo; mundo sem o qual não podemos existir como humanos. Sem esse entendimento, dificilmente haverá presença espiritual no espaço-tempo que habitamos.

Cuidar do mundo é, portanto, cuidar do ser humano, importar-se com sua formação e devir. Por outro lado, não se pode cuidar do mundo sem ação e presença políticas, ainda que estas possam variar imensamente em seu escopo, abrangência e estratégia. Por essa razão, o indivíduo que se julga uma pessoa espiritualizada (com discernimento, orientado para o outro, movido pelo altruísmo) e ignora as consequências políticas de suas atitudes, ou não considera que este seja um tema atinente aos princípios de seu estar no mundo, ou age na coletividade movido pelo ódio a alguma diferença específica, ou demoniza as pessoas que dele divergem, pode ser tudo, menos alguém que esteja movido pelo espírito, isto é, pela dimensão intangível e esclarecida que nos guia em meio ao mundo e entre os homens.

O cuidado com o mundo comum implica, como já afirmado, o cuidado com os homens que se entreveram por meio dele. Tal entendimento se faz ainda mais necessário quando leva em consideração os mais frágeis e que se encontram na condição de necessitarem de outros para se emanciparem.

Creio que as implicações pessoais e políticas desse entendimento sejam claras, a despeito de eventual dificuldade em segui-las. Pensando especificamente no atual momento social e político brasileiro, vejo algumas das seguintes implicações:

a) Independentemente do princípio ideológico e partidário de cada pessoa, qualquer um que não considere positivo o imenso processo de inclusão social (praticamente eliminação da fome, diminuição significativa da pobreza extrema, aumento real do salário mínimo, diminuição do desemprego e subemprego, diminuição dos seculares obstáculos ao acesso dos negros aos benefícios da sociedade institucionalizada) realizado durante os governos do PT desde 2003 dificilmente poderia sustentar essa opinião como um princípio espiritual. Isto, obviamente, não significa apoiar, deixar de criticar, concordar, nem mesmo deixar de fazer oposição, como queiram alguns, a outros aspectos dos governos, mas estou me referindo especificamente ao fato da diminuição geral da miséria, da pobreza e da tímida diminuição da desigualdade socioeconômica, aspectos que deveriam em tese ser defendidos e desejados por qualquer um que pretendesse se pautar por uma existência espiritual;

b) Nenhum princípio político e ideológico, quer de inspiração tradicional-conservadora, liberal ou socialista, pode ser admitido como critério exclusivo e acima de qualquer evidência diante de fatos, prioridades e, principalmente, de seres humanos. Além disso, nenhuma dessas ideologias é historicamente imune de ter contribuído com a criação de tragédias sobre a humanidade, embora igualmente nenhuma delas tenha deixado de dar contribuições positivas ao desenvolvimento humano; por essa razão, nenhuma delas deve ser estigmatizada, demonizada, nem idolatrada. A humanidade deve seu progresso a diversas tradições, a variadas contribuições liberais e socialistas, bem como, em nome de cada uma delas, tragédias foram perpetradas;

c)  Se o disposto na alínea anterior se aplica a ideologias, há que se ter em muito mais alta relevância as pessoas. Ninguém pode ser acusado, estigmatizado, demonizado, agredido apenas por expressar sua convicção ou adesão a uma ou outra posição ideológica, a um ou outro partido - o ato que assim procede se deixa dominar pela barbárie. Ninguém se torna corrupto ou criminoso porque é socialista, liberal ou conservador, ou porque é filiado a ou simpatizante de qualquer partido político, por mais que haja discursos mil que apregoem e propaguem tais clichês por puro oportunismo político, econômico ou institucional. Os atos anti-humanos é que devem ser objeto de crítica, censura e punição, não o pensamento, credo ou adesão a este ou aquele princípio, nem muito menos as pessoas que os expressam. Alguém deve ser condenado se, e somente se, ficar cristalinamente provado, por provas e meios lícitos, seu dolo e culpabilidade. Não custa lembrar que os regimes totalitários é que condenavam pessoas por sua associação ou adesão a tal ou qual posicionamento político e social;

d) Cada um pode e deve esforçar-se por contribuir para o mundo a partir das ideias e princípios que professa - e o mundo precisa de tal pluralidade e mesmo da divergência respeitosa - desde que entenda que sua visão e princípios, por mais preciosos que sejam, são também limitados, e que não há verdade absoluta que se imponha a todos os homens.


Haveria alguns outros aspectos a ressaltar tendo em vista especialmente a difícil situação política pela qual passa a nossa sociedade. Creio, entretanto, que os aspectos mencionados indicam alguns pontos importantes para que nossa presença no mundo possa acontecer por meio de uma vida humana preciosa, e que, portanto, supere o narcisismo e egocentrismo tão característicos do materialismo espiritual que se espalha em todas as tradições de sabedoria, ocultando muitas vezes os tesouros que ali existem.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Narcisismo, Apoliticismo, Espiritualidade - Parte 1

Por José Policarpo Junior
Como pesquisador das temáticas da formação humana e da espiritualidade, tenho, até por dever de ofício, conversado com pesquisadores, estudiosos e simpatizantes da área, ocasiões nas quais falamos não apenas dos nossos tópicos de estudo, mas também de assuntos gerais relativos à sociedade e à vida pessoal. É neste último tipo de conversa em que se manifestam muitas vezes as posturas, atitudes ou valores pessoais, ocasiões nas quais ficam patentes, algumas vezes, as incoerências entre estes e os princípios teóricos que as pessoas dizem esposar.
Meu propósito com este breve post não é fazer denúncia dessas incoerências de um ponto de vista pessoal - mesmo porque não há ser humano que não seja incoerente em algum aspecto, muito menos eu - nem sequer insinuar condenação moral de quem quer que seja. Aliás, a trajetória formativa não se pauta pelos julgamentos e condenações, mas pelo discernimento, persistência e compaixão, dentre outros valores. Portanto, o intuito desse breve texto é o de conduzir a uma reflexão a respeito do assunto, a qual será tão mais efetiva quanto possa ser comensurada com os princípios e valores acolhidos e descobertos por cada um, em relação a si, aos outros e ao mundo partilhado com os demais seres humanos. Peço, entretanto, a consideração do leitor para o fato de que este não é um texto acadêmico em sentido estrito, mas, sim, um pequeno texto de um blog, com todas as limitações daí resultantes.
Percebo muitas manifestações de praticantes, buscadores e estudiosos da espiritualidade quanto à ênfase na interioridade, ou nos aspectos considerados exclusivamente existenciais, com pouca consideração ou às vezes até mesmo desprezo por assuntos tidos por mundanos, comuns, não espirituais, tais como aspectos referentes à vida em grupo, à sociedade, à vida política. Em geral, todas essas pessoas têm perfeita noção teórica de que a verdadeira espiritualidade não é a que deixa de ser atuante no mundo, mas, sim, a que tem discernimento e habilidade para nele agir. Mas esse entendimento demonstra se resumir, em tais casos, à dimensão teórica, não sendo capaz de repercutir em atitudes e posicionamentos cotidianos referentes ao estar no mundo entre outros seres humanos.
Por que essas incoerências pessoais acontecem, se tais pessoas têm clareza teórica e conceitual sobre isso? A primeira resposta, de cunho mais geral, que dou a tal questão é que somos todos seres humanos; realidade que por si mesma implica conviver não só com nosso lado luminoso (no caso, nosso entendimento intelectual sobre esses assuntos), mas igualmente com nosso lado sombrio (nossas atitudes pouco iluminadas por aquilo que supomos conhecer intelectualmente). A segunda resposta, que pretendo enfatizar mais aqui, embora relacionada com a anterior, consiste em que a capacidade ou incapacidade de ver ou de não ver determinadas coisas depende mais do nosso caráter do que de nossa eventual inteligência;  esse entendimento não é meu, mas de Erich Fromm, que afirmou que “reconhecer a verdade não é principalmente uma questão de inteligência, mas de caráter”.
Acontece que o caráter, segundo a compreensão psicanalítica utilizada por Erich Fromm, é uma espécie de segunda natureza do homem, constituída por aspectos que foram estruturados conscientemente e por outros que foram acumulados, escondidos ou recalcados inconscientemente. Essa seria, portanto, uma das principais razões pela qual a pessoa (qualquer uma, em tese) pode afirmar um princípio teoricamente e negá-lo atitudinalmente no cotidiano. Diante disso, o mais importante aqui não consiste em apontar erros a quem quer que seja, mas ressaltar o aspecto fundamental da necessidade de olhar para os pontos sombrios de si mesmo.
Segundo os antecedentes, que não podem aqui ser aprofundados, um dos aspectos do ser espiritual - que no entendimento de Teilhard de Chardin indica a dimensão interior de qualquer fenômeno, especialmente do interior humano - é desenvolver a capacidade de olhar para si mesmo e reconhecer tudo o que lá se manifesta. O olhar para a interioridade não é, entretanto, um fim em si mesmo, como muitos praticantes e buscadores espirituais terminam por pensar. Olhar para dentro de si implica, em primeiro lugar, deixar que se manifestem à nossa consciência todos os aspectos de nosso interior, luminosos ou sombrios, sem julgamento, nem condenação. Em segundo lugar, implica reconhecer progressivamente não haver diferença significativa entre o que está fora e o que está dentro de nós. Em terceiro lugar, implica finalmente reconhecer não haver um “fora” e um “dentro”, mas ver todos os fenômenos e todos os seres como expressão de uma só realidade.
Cultivar a espiritualidade implica, portanto, sair da autorreferência e do primado de si. A essência de si mesmo não é distinta da alteridade, embora sejam ambos diferentes como fenômenos. A consequência disso é que há um mundo e há seres diferentes de mim e ao mesmo tempo iguais a mim como manifestação de uma realidade da que todos nós fazemos parte. Mas isso não é um entendimento teórico apenas, mas um discernimento pessoal, vivencial, prático.
Por essa razão, o praticante ou estudioso da espiritualidade que se julga acima dos demais, que pensa estar mais desenvolvido do que outros, que supõe estar incólume a determinados erros, por mais entendimento de que se julgue portador, termina por conceber a si mesmo como substancialmente distinto dos demais, esquecendo que as eventuais distinções existentes não o são de natureza, mas secundárias, acidentais. Por essa razão, tal atitude, mesmo apregoada com adjetivos espirituais, termina por se revelar mais uma faceta do autocentramento ou do velho “Eu”, um narcisismo espiritual, do que uma realização verdadeira. Tal atitude também termina por se reverberar no âmbito da vida comum, na polis.

Devido à extensão deste post, darei continuidade ao assunto em um próximo.

terça-feira, 8 de julho de 2014

II Encontro Internacional de Educação e Espiritualidade

O Núcleo de Educação e Espiritualidade do Programa de Pós-graduação em Educação da UFPE promove, sob a coordenação geral do Prof. Dr. Alexandre Simão de Freitas, o II Encontro Internacional de Educação e Espiritualidade que acontecerá no Recife, no período de 3 a 5 de novembro de 2014, na UFPE. Este Instituto apóia a realização.

Para inscrições e informações, vá ao website do evento clicando aqui.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Currículo "Educação Emocional e Relacional para Crianças - PATHS" está disponível

Finalmente o currículo Educação Emocional e Relacional para Crianças - Pensamento, Afetividade e Trabalho com Habilidades Sociais (PATHS), de autoria de Carol Kusché e de Mark Greenberg, está disponível para aquisição, sob licença de Channing Bete Company, por meio da página oficial do Instituto de Formação Humana.

Após quatro anos e meio de trabalho de tradução, revisão, diagramação, editoração e impressão, o PATHS foi lançado em outubro de 2012, com a presença de Mark Greenberg, durante os eventos realizados pelo nosso Instituto. Depois disso, tivemos que trabalhar para garantir o financiamento da primeira impressão dos kits e tratar também de aspectos jurídicos referentes ao modelo de sua comercialização, o que demandou mais quinze meses de trabalho.

Agora está tudo pronto para a distribuição aos estabelecimentos interessados em adquiri-lo.

Quem desejar saber mais sobre esse material didático de excelente qualidade para a formação emocional e relacional das crianças, pode consultar alguns posts antigos em nosso blog, aqui e aqui, bem como informações constantes da página oficial do Instituto de Formação Humana, aqui.

IV Simpósio Internacional de Medicinas Tradicionais e Práticas Contemplativas

No período de 16 e 17 de maio de 2014, realizar-se-á o IV Simpósio Internacional de Medicinas Tradicionais e Práticas Contemplativas.

Já estão abertas as inscrições para apresentação de trabalhos científicos.

O evento contará com a presença de importantes convidados internacionais tais como Geshe Lobsang Tenzin Negi (EUA) que falará dos estudos publicados sobre o Cognitive Based Compassion Training, um programa que envolve a meditação da compaixão para crianças em idade escolar e adultos de diferentes idades; Jamyang Dolma, chefe do Depto. de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Médico Tibetano (India) que falará sobre o uso da medicina tibetana para doenças crônicas, e; Javier Garcia Campayo, professor titular da Universidade de Zaragoza (Espanha), que tem estudado programas de meditação Mindfulness na Atenção Primária à Saúde.

Está programada ainda uma mesa redonda sobre a medicina popular do Brasil, com a presença de praticantes indígenas e de religiões afro-brasileiras.

Haverá também uma mesa sobre temas intrigantes em saúde e espiritualidade: Susan Andrews falará sobre a Felicidade Interna Bruta e a saúde; Júlio Peres comentará os resultados de seus estudos sobre Neuroimagem e estados de transe; e Ricardo Monezi sobre Reiki.

Na mesa redonda sobre práticas contemplativas e sociedade, Regina Migliori conta sua experiência com estas práticas na educação, e Don Alexandre com a meditação cristã.

Quanto às pesquisas em práticas contemplativas teremos as apresentações de Luiz Eugênio Mello, professor titular da Universidade Federal de São Paulo e de Carolina Menezes docente da Universidade Federal de Pelotas.

Para mais informações sobre o evento, incluindo a programação, clique aqui.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Educação Emocional - entrevista com José Policarpo Jr.

Disponibilizamos mais uma entrevista com o prof. José Policarpo Jr., desta feita sobre o tema Educação Emocional, realizada pela profa. Cecília Costa no Programa Realidades da UFPE, em 17/11/2013.

A entrevista está dividida em três blocos, bastando clicar em cada um deles abaixo para ter acesso ao áudio:

1a. Parte          2a. Parte          3a. Parte

sábado, 31 de agosto de 2013

Mais uma tese sobre Formação Humana

No próximo dia 6 de setembro, às 14:00h, no Programa de Pós-graduação em Educação do Centro de Educação da UFPE, dar-se-á mais uma defesa de tese sobre a temática da Formação Humana. Trata-se da tese de Lavínia Ximenes, intitulada "A Promoção da Formação Humana no Processo de Formação Acadêmica do Educador".

A tese analisa a formação do educador nos cursos de Pedagogia, focalizando o curso ministrado na UFPE. São analisadas as diretrizes nacionais, o projeto político-pedagógico e a estrutura curricular do referido curso; além disso são entrevistados alunos iniciantes e concluintes e professores do curso.  O objetivo da tese é verificar até que ponto a formação do educador se estrutura de modo a promover a formação humana, ou se tais processos encontram-se em rotas divergentes. Para isso, a autora fundamenta uma compreensão da formação humana que se realiza nos âmbitos social, cultural, pessoal e interpessoal.

A tese ainda se caracteriza pela utilização de metodologias qualitativa e quantitativa, de acordo com os dados analisados.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Entrevista e Painel sobre espiritualidade, formação humana e educação

No mês de maio de 2013, a TV e Rádio Universitária da UFPE realizaram dois programas sobre os temas da espiritualidade, formação humana e educação.

Na TV, no programa Opinião Pernambuco, o jornalista Haymone Neto realizou e dirigiu um painel com os professores Marcelo Pelizzoli e José Policarpo Jr., sobre a temática da espiritualidade.

Na Rádio, o prof. Marcelo Pelizzoli, que também dirige o programa Realidades, entrevistou o prof. Policarpo sobre a mesma temática.

A seguir estão os links para os referidos programas.


Programa Realidades: 1a parte, 2a parte, 3a parte

domingo, 2 de junho de 2013

Livros sobre espiritualidade e formação humana

Como já foi afirmado anteriormente, o livro O Pensar, o Sentir, o Agir, lançado pelo Instituto em fins de 2011 (efetivamente início de 2012), teve sua disponibilidade para a venda normalizada. Você pode adquiri-lo aqui, ou diretamente na seção de livros do iTunes, se for usuário da Apple.

Em 2013, foi lançado um outro livro fundamental para o entendimento da espiritualidade e sua relação com a formação humana e a educação. Trata-se do livro do Prof. Ferdinand Röhr, intitulado Educação e espiritualidade: contribuições para uma compreensão multidimensional da realidade, do homem e da educação, editado pela editora Mercado de Letras, da cidade de Campinas, SP. O referido livro contém o memorial e o ensaio que o Prof. Röhr apresentou por ocasião de seu concurso para professor titular na UFPE. Trata-se de obra fundamental para os interessados na referida temática.

Os interessados no livro do Prof. Röhr podem adquiri-lo em livrarias ou entrar em contato com o próprio autor por meio do seu endereço eletrônico: frohr@uol.com.br.

Boa leitura.

Bibliografia sobre espiritualidade, educação e formação humana

por José Policarpo Jr.

Fui solicitado por um orientando a apresentar indicações bibliográficas que tratassem da temática da espiritualidade e da educação. Ao me preparar para atender sua solicitação, verifiquei a dificuldade da tarefa não pela ausência de referências importantes, mas pela diversidade de modos de buscar o esclarecimento a respeito do referido tema, o que leva, por sua vez, à quantidade não desprezível de títulos.

Ao buscar atender ao pedido, me dei conta de que solicitações semelhantes já me haviam sido feitas - ocasiões em que fiz indicações de alguns poucos livros de memória. Com o intuito, portanto, de que essas indicações pudessem estar ao alcance de mais vasto número de pessoas, resolvi publicá-las como post neste blog.

Quero esclarecer que obviamente não tenho a menor pretensão de que as indicações abaixo sejam exaustivas e nem mesmo as melhores ou mais adequadas. Faço estas indicações e não outras porque foram estas as que li integralmente (quase todas) ou pelo menos parcialmente (algumas). Em outras palavras, não posso indicar aquilo que não conheço, mesmo tendo lido e ouvido comentários de terceiros sobre outras obras de alta qualidade a respeito da mesma temática. Obviamente, cada um pode aumentar para si mesmo a lista abaixo com outras indicações.

A fim de tornar as indicações mais acessíveis aos interessados, classifiquei-as em subtemáticas que considero centrais e representativas do tema em pauta. Tais subtemáticas são as seguintes:

1.      Compreensão conceitual da espiritualidade
2.      Compreensão da vida pessoal esclarecida pela e comprometida com a espiritualidade.
3.      Compreensão dos obstáculos internos e externos à vida espiritual, e meios de cultivá-la.
4.      Aspectos importantes na relação entre educação e espiritualidade.
5.      Compreensões filosófico-ontológicas da espiritualidade

Algumas referências aparecem em mais de uma subtemática devido ao fato de, a meu juízo, serem representativas de cada uma das classificações apontadas.

Nunca é demais ressaltar que a espiritualidade não se compreende apenas intelectualmente. A espiritualidade é, antes de tudo, algo a ser vivido consigo mesmo, com as pessoas ao nosso redor e com o mundo em que habitamos. A erudição tem seu valor, mas esta se converte em algo estéril, inútil e, no limite, até prejudicial, se não deriva e não se faz acompanhar de um modo pessoal e comprometido de viver espiritualmente.  De modo mais direto, por exemplo, ninguém pode aprender bem o que seja a paciência sem ser capaz de enfrentar a impaciência. Portanto, embora as indicações abaixo sejam um tesouro precioso - pelo menos para mim o são - elas serão inúteis se não se fizerem acompanhar de um coração aberto a acolhê-las e de uma disposição sincera em praticá-las. Além disso, ocorrerá inclusive o fato de muitas delas não serem compreensíveis nem relevantes para aqueles que não busquem pautar suas vidas, mesmo em meio a todas as próprias imperfeições, por tais princípios.

No mais, que algumas dessas leituras sejam úteis àqueles que buscam, entre inumeráveis caminhos, esclarecer suas mentes, seus corações, seu agir.

Boa leitura!


Compreensões conceituais da espiritualidade
Bodri, Willian. (2010). Sócrates y el Camino hacia la Iluminación. Trad.: Miguel Iribarren. Madrid: Gaia Ediciones.
Boff, Leonardo. (1982). O Destino do homem e do mundo: ensaio sobre a vocação humana. 6a. ed. Petrópolis: Vozes.
Herrigel, Eugen. (1975). A arte cavalheiresca do arqueiro Zen. São Paulo: Pensamento.
Kornfield, Jack. (2002). Um Caminho com o coração. Trad.: Merle Scoss e Melania Scoss. São Paulo: Cultrix.
Rama, Swami. (2006). La Elección de um Camino – um lugar de encuentro com uno mismo. Trad.: María Inés Cavagnaro. Buenos Aires: Alhué.
Röhr, Ferdinand (org.). (2012). Diálogos em educação e espiritualidade. 2A ed. revisada.  Recife: Ed. Universitária da UFPE.
Röhr, Ferdinand. (2013). Educação e espiritualidade. Campinas, SP: Mercado de Letras.
Smith, Huston. (2001). As Religiões do mundo: nossas grandes tradições de sabedoria. São Paulo: Cultrix.
Trungpa, Chögyam. (2001). Além do materialismo espiritual. Tradução: Octavio Mendes Cajado. São Paulo: Cultrix.
Wilber, Ken (2006). Espiritualidade integral: uma nova função para a religião neste início de milênio. Tradução: Cássia Nasser. São Paulo: ALEPH.

Compreensão da vida pessoal esclarecida pela e comprometida com a espiritualidade.
Boff, Leonardo. (1982). O Destino do homem e do mundo: ensaio sobre a vocação humana. 6a. ed. Petrópolis: Vozes.
Dalai Lama, XIV, Cutler, Howard C. (2002). A arte da felicidade: um manual para a vida. São Paulo: Martins Fontes.
Dalai Lama, XIV, Goleman, Daniel (orgs.). (2003). Como lidar com emoções destrutivas. Rio de Janerio: Campus.
Dalai Lama, XIV. (2003). O Caminho para a liberdade. Rio de Janeiro: Record: Nova Era.
Fromm, Erich. (2011). El Amor a la Vida – conferencias radiofónicas compiladas por Hans Jürgen Schultz. Trad.: Eduardo Prieto García. Madrid: Paidós.
Kornfield, Jack. (2002). Um Caminho com o coração. Trad.: Merle Scoss e Melania Scoss. São Paulo: Cultrix.
López Quintás, Alfonso. (2003). El secreto de uma vida lograda: curso de pedagogia del Amor y la Familia. Madri: Ediciones Palabra.
López Quintás, Alfonso. (2004). Inteligência Criativa – descoberta pessoal de valores. Tradução de José Afonso Beraldin da Silva. São Paulo: Paulinas.
Preece, Rob. (2006). The Wisdom of imperfection: the challenge of individuation in Buddhist life. Ithaca, NY: Snow Lion Publications.
Rogers, Carl. (2001). Tornar-se Pessoa. Tradução: Manuel José do Carmo Ferreira e Alvamar Lamparelli. São Paulo: Martins Fontes.
Trungpa, Chögyam. (1988). O Mito da liberdade e o caminho da meditação. Tradução: Aníbal Mari. São Paulo: Cultrix.
Trungpa, Chögyam. (2001). Além do materialismo espiritual. Tradução: Octavio Mendes Cajado. São Paulo: Cultrix.
Trungpa, Chögyam. (2003). Shambhala: the sacred path of the warrior. Boston, Massachusetts: Shambhala.

Compreensão dos obstáculos internos e externos à vida espiritual, e meios de cultivá-la.
Dalai Lama, XIV. (2006). Dzogchen: a essência do coração da grande perfeição. São Paulo: Gaia.
Erikson, Erik. (1998). O ciclo de vida completo. Tradução: Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artes Médicas.
Fromm, Erich. (1976). The Anatomy of Human Destructiveness. New York: Holt, Rinehart and Winston.
Fromm, Erich. (1986a). Análise do Homem. Tradução: Octavio Alves Velho. Rio de Janeiro: Editora Guanabara.
Fromm, Erich. (1986b). Meu Encontro com Marx e Freud. 7a. ed. Tradução: Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Editora Guanabara.
Goleman, Daniel.  (1997). A Mente Meditativa. Trad.: Marcos Bagno. 5ª ed. São Paulo: Ática.
Jung, Carl Gustav (2007). O Eu e o Insconciente. Tradução: Dora Ferreira da Silva. 20. ed.  Rio de Janeiro: Vozes.
Karma-Lingpa. (2002). O Livro tibetano dos mortos: a grande libertação mediante audição no Bardo; tradução para o inglês e comentários de Francesca Fremantle & Chögyam Trungpa. Tradução: Murillo Nunes de Azevedo. Rio de Janeiro: Rocco.
Kornfield, Jack. (2002). Um Caminho com o coração. Trad.: Merle Scoss e Melania Scoss. São Paulo: Cultrix.
Preece, Rob. (2006). The Wisdom of imperfection: the challenge of individuation in Buddhist life. Ithaca, NY: Snow Lion Publications.
Rama, Swami. (2006). La Elección de um Camino – um lugar de encuentro com uno mismo. Trad.: María Inés Cavagnaro. Buenos Aires: Alhué.
Smith, Huston. (2001). As Religiões do mundo: nossas grandes tradições de sabedoria. São Paulo: Cultrix.
Trungpa, Chögyam. (1988). O Mito da liberdade e o caminho da meditação. Tradução: Aníbal Mari. São Paulo: Cultrix.
Trungpa, Chögyam. (2001). Além do materialismo espiritual. Tradução: Octavio Mendes Cajado. São Paulo: Cultrix.
Trungpa, Chögyam. (2003). Shambhala: the sacred path of the warrior. Boston, Massachusetts: Shambhala.

Aspectos importantes na relação entre educação e espiritualidade.
Aristóteles. (1987). Ética a Nicômano. Tradução: Leonel Vallandro e Gerd Bornheim. São Paulo: Nova Cultural.
Biaggio, A. M. B. (2002). Lawrence Kohlberg – ética e educação moral. São Paulo: Moderna.
Cordeiro, Eugênia de Paula Benício. (2012). Formação humana de jovens e adultos: elaboração, implementação e teste de um componente curricular em cursos tecnológicos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - Pernambuco. Tese (Doutorado em Educação), Universidade Federal de Pernambuco, Recife - PE.
Goleman, Daniel. (2001). Inteligência Emocional: a teoria que define o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva.
Jager, Werner. (2001). Paidéia – a formação do homem grego. Tradução: Artur M.Parreira. 4ed. São Paulo: Martins Fontes.
Kirk III, Robert deVille. (2000) Spirituality and Education: a conceptual analysis. 264f. Tese (Doutorado em Educação), Universidade de Connecticut, Connecticut.
Mota, Ana Paula Fernandes da Silveira. (2010). Desenvolvimento emocional e relacional na educação infantil: implicações do PATHS e do ACE à formação humana da criança e do educador. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Federal de Pernambuco, Recife - PE.
Policarpo Junior, José. (org.). (2011). O Pensar, o Sentir, o Agir: sentidos da formação humana. Recife: Instituto de Formação Humana. E-book. Disponível em: http://www.smashwords.com/books/view/306736
Policarpo Junior, José; Röhr, Ferdinand. (2012). Conceptual Grounding of Education as Human Formation – a Dialogue between Aspects of the Field of Education Itself and the Buddhist Tradition. In: Education, v.2, 195-208. Disponível em: http://article.sapub.org/10.5923.j.edu.20120205.13.html.
Quisumbing, Lourdes. (2002), Values Education for Human Solidarity. In: International Institute on Peace Education. Filipinas. Disponível em: http://www.i-i-p-e.org/docs/IIPE2002openingplenary.pdf. Acesso em: 14 nov. 2011.
Röhr, Ferdinand (org.). (2012). Diálogos em educação e espiritualidade. 2A ed. revisada.  Recife: Ed. Universitária da UFPE.
Röhr, Ferdinand. (2013). Educação e espiritualidade. Campinas, SP: Mercado de Letras.
UNESCO. (1972). Learning to be: The world of education today and tomorrow. Paris: UNESCO. Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001279/127914e.pdf . Acesso em: 9 ago. 2010.
UNESCO. (1996). Learning: the treasure within. Available in: http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001095/109590eo.pdf. Acesso em 9/08/2010.
UNESCO-APINIEVE. (2002). Learning to be: A holistic and integrated approach to values education for human development, core values and the valuing process for developing innovative practices for values education toward international understanding and a culture of peace. Bangkok: UNESCO Asia and Pacific Regional Bureau for Education. Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001279/127914e.pdf.. Acesso em: 9 ago. 2010.
UNESCO-APINIEVE. (2005). Learning do do: Values for learning and working together in a globalized world: an integrated approach to incorporating values education to technical and vocational education and training. Manila: APINIEVE. Disponível em: http://www.unesco-apnieve.edu.au/servlet/web?s=1575730&action=changePage&pageID= 487827200. Acesso em: 9/8/2010.

Para compreensões filosófico-ontológicas da espiritualidade
Atkinson, W. W. (2008). Reincarnation and the law of Karma: a study of the old-new world-doctrine of rebirth, and spiritual. Project Gutenberg Online Distributed Proofreading Team, Ebook-No. 26364, Disponível em: http://www.gutenberg.org/ebooks/26364. Acesso em 3, fevereiro, 2012.
Aurobindo, Sri. (2006). The Life divine. Twin Lakes, WI: Lotus Press.
Dalai Lama, XIV. (2006). Dzogchen: a essência do coração da grande perfeição. São Paulo: Gaia.
Dalal, A. S. (org) (2001). Uma Psicologia Maior: Introdução à Doutrina Psicológica de Sri Aurobindo. Trad.: Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Editora Cultrix.
Karkec, Allan. (2011). A Gênese: os milagres e as predições segundo o espiritismo. Tradução: Evandro Noleto Bezerra. Brasília: Conselho Espírita Internacional. Ebook.
Lovejoy, Arthur O. (2005). A Grande Cadeia do Ser: um estudo da história de uma idéia. Tradução: Aldo Fernando Barbieri. São Paulo: Editora Palindromo.
Röhr, Ferdinand (org.). (2012). Diálogos em educação e espiritualidade. 2A ed. revisada.  Recife: Ed. Universitária da UFPE.
Röhr, Ferdinand. (2013). Educação e espiritualidade. Campinas, SP: Mercado de Letras.
Ubaldi, Pietro. (1999). A Grande Síntese – síntese e solução dos problemas da ciência e do espírito. Tradução.: Carlos Torres Pastorino e Paulo Vieria da Silva. 20ª ed. Campos dos Goytacazes, RJ: Fraternidade Francisco de Assis.

Wallace, B. Alan. (2009). Dimensões Escondidas – a unificação de física e consciência. Trad.: Lúcia Brito. São Paulo: Peirópolis.

sábado, 27 de abril de 2013

Apoi às vítimas da seca no semi-árido nordestino brasileiro

Diante da grave situação social de milhões de pessoas nesta seca de 2013 que assola o semi-árido nordestino, a instituição Ação da Cidadania está desenvolvendo uma campanha específica em apoio aos atingidos.

Há diversas instituições da sociedade civil apoiando esta iniciativa da Ação da Cidadania, entre elas a Arquidiocese de Olinda e Recife e também este Instituto. Os que desejarem participar podem fazer doações em alimentos ou em dinheiro à Ação da Cidadania. Para saber mais a respeito e contribuir, clique no link para a Ação da Cidadania.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Educação emocional: necessidade do século XXI. Entrevista com o Prof. Mark Greenberg

Durante os eventos realizados em outubro de 2012 pelo Instituto de Formação Humana - IFH, a jornalista Mariana Arantes, uma das coordenadoras da equipe de organização, entrevistou o Dr. Mark Greenberg, um dos autores do currículo "Educação Emocional e Relacional para Crianças" publicado em 2012 por este instituto, sobre a importância da educação emocional e sobre sua visita ao Brasil. Além de realizar a entrevista, Mariana Arantes também a traduziu e disponibilizou-a ao IFH.

O Prof. Mark Greenberg é um dos maiores especialistas do mundo em educação emocional e relacional. Ao longo de sua vasta e frutífera carreira acadêmica, tem se dedicado a estudar e a estruturar meios de promover a educação integral de crianças, adolescentes e adultos em diversas cidades dos EUA e do mundo.

A entrevista está em inglês, mas a tradução e transcrição da mesma segue após o vídeo.

Entrevista

Tradução da entrevista com o Prof. Mark Greenberg:

Mariana Arantes: Em primeiro lugar, é um prazer conhecê-lo e recebê-lo aqui no Brasil. Gostaria de agradecer por seu tempo e por ter vindo compartilhar seu conhecimento conosco. Eu sou jornalista aqui no Brasil e estudo na Universidade Federal de Pernambuco. Faço pós-graduação em Educação. Me interesso por Educação Emocional e também por Comunicação. Tenho um profundo interesse em saber porque algumas pessoas conseguem se comunicar melhor do que outras. E um dos problemas que mais ouço as pessoas dizerem é: "Eu não consigo controlar as minhas emoções!". Então, eu pergunto, por quê? Por que é tão difícil? Por que nunca aprendemos sobre como lidar com as nossas emoções, na sua opinião?

Mark Greenberg: A questão da educação emocional é muito interessante. Eu acho que no passado, os meios de regulação da nossa sociedade eram muito diferentes. Vivíamos em locais pequenos, pequenas comunidades e bem estáveis. E se nós não controlássemos as nossas emoções muito bem, as pessoas eram muito prestativas, eram situações fáceis de lidar. Mas agora, vivemos numa sociedade extremamente complexa. E nesta sociedade complexa, as famílias estão se mudando, as escolas estão mudando e as pessoas estão bastante estressadas. Então, não se dá mais tanta atenção ao indivíduo como antigamente. Então, eu acho que parte do problema é devido ao estilo da vida moderna. Mas também é um problema de evolução, pois à medida que nos desenvolvemos como seres humanos, nós nos aprofundamos em nossa vida interior e, portanto, a expressão de nossas emoções se torna mais importante.

Mariana Arantes: Quando trazemos isso para o campo da Educação, este problema parece ser maior. Na sua opinião, quais são as contribuições que os benefícios que a autorregulamentação das nossas emoções trazem para a comunicação entre professores e alunos?

Mark Greenberg: Nós sabemos que as crianças que sabem regular melhor as suas emoções, e nós podemos ensiná-las a fazer isso, lidam melhor com seus amigos e também com seus professores. E também podem aprender mais. O ganho extraordinário disso é que as crianças que lidam com suas emoções com maior eficiência prestam mais atenção. Dedicam-se mais às aulas e dedicam-se mais aos relacionamentos. Então, elas aprendem mais. Existe uma relação direta entre o desenvolvimento emocional, a regulação das emoções e o aprendizado. E por isso, o interesse das pessoas tem aumentado sobre isso. As pessoas querem atingir seus objetivos, isso em relação às metas nas escolas. E agora, as pessoas estão também descobrindo que as crianças que sabem lidar com as próprias emoções aprendem melhor. A educação sobre as emoções tem se tornado mais importante.

Mariana Arantes: Compreendo. E o quão distante o senhor acredita que nós estamos de ter consciência da importância da educação emocional nas escolas?

Mark Greenberg: Eu acho que estamos apenas começando. Há 10 ou 20 anos mal tínhamos evidências que a educação sobre as emoções poderia fazer alguma diferença. Agora, sabemos que pode. Sabemos que os professores aprendem a como falar com as crianças sobre as emoções, que aprendem a ensiná-las sobre com ter mais autocontrole, que também aprendem a ensinar como melhorar seus relacionamentos e sabemos que as crianças aprendem mais. E agora que nós sabemos de tudo isso, estamos começando o caminho do desenvolvimento. Essa já é uma realidade nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Europa, na Austrália, Hong Kong, Singapura… e também está começando a ser na América do Sul. O Peru, por exemplo, já despertou para isso. Eles perceberam que a natureza de sua nação neste século dependerá em boa parte da educação emocional de suas crianças, pois isso facilita a comunicação entre as pessoas, o trabalho em grupo, a resolução de problemas de modo criativo. Esses são requisitos para se comunicar bem e trabalhar intensamente juntos. Ou seja, estamos falando de habilidades para o século XXI, e a educação emocional é uma das mais importantes.

Mariana Arantes: Realmente. Meu interesse no mestrado é descobrir inclusive no Brasil, como os pesquisadores definem esta questão da educação emocional, porque nós achamos muitos termos para falar do mesmo assunto: inteligência emocional, inteligência social ou quaisquer outras palavras similares. Então, uma última pergunta, por favor: Como o senhor se sente com relação ao lançamento da edição brasileira do PATHS?

Mark Greenberg: Isso é muito emocionante! Fiquei bastante impressionado com o imenso trabalho que o Prof. Dr. Policarpo fez para traduzir para o português. Essa é a mais nova edição! Já foi traduzido para o croata, coreano, chinês, espanhol, alemão, muitos idiomas. Mas eu acho que esta versão em português é muito especial porque o Brasil é uma das maiores e mais importantes nações do mundo. O Brasil está se tornando uma nação mais moderna muito rapidamente. Então, ter esta versão em português acho que será muito útil para as crianças brasileiras.

Mariana Arantes: Está bem, mais uma vez muito obrigada pela entrevista. Tenha uma boa estada no Brasil. Foi um prazer.
 

Diálogos em Educação e Espirutualidade

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